Lethe, Mnemosyne
Evento finalizado
04
abr 2018
21
may 2018

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Cuándo: 04 abr de 2018 - 21 may de 2018
Inauguración: 04 abr de 2018
Dónde: Galería Lume / Gumercindo Saraiva, 54. Jardim Europa / São Paulo, Sao Paulo, Brasil
Comisariada por: Adolfo Montejo Navas
Organizada por: Galería Lume
Artistas participantes: Ana Vitória Mussi
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Publicada el 11 abr de 2018      Vista 47 veces

Descripción de la Exposición

E se, na verdade, a realidade da imagem fosse ignota, desconhecida? A sua natureza dupla sempre ambígua e ambivalente? E sua própria raiz nos levasse a um território enigmático, no qual nenhuma visualidade codificada garantisse nada? Nada fosse seguro ou certo completamente? Não estaríamos então regressando a uma certa matriz imagética, ao reconhecimento de que “a imagem nunca é uma realidade simples” (como diz Jacques Rancière, entre outros). E onde, por outro lado, tudo se junta, se reconcilia, se religa, não havendo separações domésticas, por exemplo, de foto, imagem, suporte, dispositivo, registro? Nessas coordenadas tão abrangentes, intensas e ao mesmo tempo lábeis, inquietantes, se inscreve a poética de Ana Vitória Mussi, desde seu começo no despertar dos anos 1970. Uma artista pioneira que ilustraria, como uma paráfrase, o miniconto do escritor Augusto Monterroso (“Quando despertei, o dinossauro ainda estava ali”), porque, quando apareceu o termo foto-arte décadas depois, a artista já estava ali, fazia muito tempo, inventando seu próprio corpus fotográfico tão híbrido quanto diferenciado. Poética imersa na exploração do que poderia ser o regresso ao húmus da imagem, a seus fios terra, camadas, às conexões que ampliam a fotografia à visualidade artística e iconográfica de hoje, e, em suma, à procura de um novo lugar próprio como gênero, condição difícil no meio da inflação de visibilidades, imagens midiatizadas etc... Porque toda sua obra, até a infindável produção de hoje, se pauta por essa exploração performativa da imagem, em que ela é tratada até a confluência com o objeto por meio de singulares operações de significação, a criação de um regime de inédita imagética flutuante, porque no fundo sempre se trata de chegar ao inédito, ao inaugural, a essa emoção sentida e cognitiva primigênia que restabeleça a conexão com nossa experiência de seres condenados a criar uma ontologia especular: a pensar com os olhos. ____ Ana Vitória Mussi apresenta panorama de sua produção na Galeria Lume Com curadoria de Adolfo Montejo Navas, mostra reúne cerca de 40 trabalhos da artista, consagrada por explorar a fotografia em diferentes suportes. Ana Vitória Mussi faz parte de uma geração de artistas que, na década de 1970, incorporou novas linguagens à arte contemporânea, ampliando os temas e suportes da produção brasileira. Natural de Laguna (SC), iniciou sua carreira no Rio de Janeiro, em plena ditadura militar. Nesse contexto, subverteu os usos tradicionais da fotografia e criou uma obra potente, que questiona tanto a situação política da época, quanto o estatuto da imagem na cultura de massas – tema ainda bastante recorrente em sua produção. A consistente trajetória de Ana Vitória é celebrada pela exposição Lethe, Mnemosyne (Esquecimento, Memória, em tradução literal), que a Galeria Lume recebe a partir do dia 3 de abril. Com curadoria do poeta e crítico espanhol Adolfo Montejo Navas, a mostra apresenta ao público cerca de 40 trabalhos da artista, entre vídeos, serigrafias e instalações, todos baseados na linguagem fotográfica. Sua primeira individual em uma galeria paulistana traz um panorama bastante abrangente de sua extensa produção. Pioneira ao investigar a fotografia como um campo ampliado, a artista a enxerga para além do registro documental. Equilibra-se sobre a tênue linha que separa arte e fotografia. Não raro, suas composições partem de imagens subtraídas dos mais diferentes meios. “Ana Vitória constrói uma poética da imagem e estabelece uma ruptura perceptiva, propondo uma mudança sensível e imperecedoura da nossa relação com o imagético”, afirma Montejo Navas. Já em seus primeiros trabalhos, a catarinense realizou uma sucessão de intervenções nos jornais cariocas. Essa fase é representada na exposição por Trajetória do osso - A Rebelião (1968), colagem na qual Ana Vitória desenha sobre fotos de protestos, inserindo nelas ossadas gigantes. A montagem cria a ilusão de que os ossos estão sendo carregados por uma multidão – clara referência ao momento político vivido pelo Brasil às vésperas do AI 5, quando as rebeliões eram asfixiadas. “As mídias passavam por um controle e uma censura absolutos do que podia ser mostrado, incluindo a própria violência que ocorria nos porões de um Estado totalitário”, conta a artista. Na série Barreiras, Ana Vitória também se baseia em periódicos, intervindo com guache em imagens de atletas de modalidades diversas. Parte integrante do conjunto, o trabalho Boxeador (1972) traz o corpo retorcido de um pugilista. Para reconhecer que se trata de uma figura humana, o observador precisa olhar com bastante atenção, movimento constante no reconhecimento de suas obras. “O que é a sua fotografia nesse momento? Na resposta, não cabe reduzi-la a quaisquer das variantes contemporâneas do registro automático. Essas imagens, nem figurativas, nem abstratas, estão para além da representação”, pontua o crítico Paulo Herkenhoff sobre o conjunto, ressaltando o caráter ambíguo dos trabalhos que abarca. Concebida em 2017, a série inédita Sobremar apresenta um apanhado de fotos do Museu de Arte do Rio (MAR), complexo formado por dois prédios interligados: o Palacete Dom João VI, de estilo eclético do começo do século XX, e o edifício vizinho, fruto de um projeto modernista. Nessas obras, a artista subtrai parte das imagens e insere sobre elas planos e áreas pretas. A série, como grande parte de seu trabalho, dialoga com o movimento neoconcreto, brincando com os conceitos de construção e representação. “Ana Vitória é autora de uma obra pulsante, que tem perpassado bem os tempos, do início de sua carreira aos dias de hoje. Sua produção segue em sintonia com a atualidade, mantendo-se permanentemente experimental”, afirma o curador Montejo Navas. Na exposição, que segue em cartaz no espaço até 14 de maio, Ana Vitória Mussi também apresenta obras de suportes diversos. A artista insere em suas produções negativos, rolos de filmes e slides – materiais que fazem referência ao passado da artista que, entre 1977 e 1989, trabalhou como fotógrafa de colunas sociais. Na obra À tua imagem (1978-2004), por exemplo, um rebobinador expele inúmeros negativos de políticos e celebridades, retratados ao longo de seu ofício nos jornais cariocas. De forma irônica, a artista enfatiza a passagem do tempo, que tornou o material obsoleto. Realizadas de modo a eternizar personalidades ilustres, as imagens aqui aparecem como sinal da finitude: não revelados, seus protagonistas desaparecem, amalgamados pela monótona semelhança entre os negativos. Esse material acumulado também compõe a instalação Lethe, que nomeia a mostra. Nela, a artista une fragmentos de negativos a um fio de náilon, formando uma fita de aproximadamente 4 metros de extensão. Ao lado, cópias fotográficas são dispostas em uma mala de viagem. O tema da memória, e a forma como ela é construída pelo homem, mais uma vez é o centro de suas reflexões. “O título deste trabalho faz alusão ao rio grego Lethe, onde as almas iam se banhar para esquecer vidas passadas”, conta a artista. Sobre a artista Natural de Laguna (SC), Ana Vitória Mussi estudou arte com Ivan Serpa e fotografia com Kaulino e Ricardo Holanda, no Senac, Rio de Janeiro. De 1979 a 1989, trabalhou como repórter fotográfica em grandes jornais cariocas. Entre 1989 e 1990, estudou serigrafia com Dionísio Del Santo e Evany Cardoso na EAV/Parque Lage. A artista é uma das pioneiras na inserção de fotografias na produção de arte contemporânea, expandindo os limites da técnica para além do papel. Já apresentou mostras individuais em instituições como a Casa da Imagem (SP), Paço Imperial (RJ) e Oi Futuro (RJ). Também participou de coletivas no Museu de Arte Moderna (RJ), na Fundação Vera Chaves Barcellos (RS), na Funarte (RJ), entre outros. Sua obra integra ainda a coleção Pirelli Masp de Fotografia. Atualmente, Ana Vitória participa da coletiva Radical Women: Latin American Art, 1960-1985, exposição itinerante que traz as práticas artísticas de mulheres da América Latina em um período chave na história do continente, explorando sua relação com o desenvolvimento da arte contemporânea regional e suas repercussões internacionais. Entre setembro e dezembro de 2017, a mostra esteve em cartaz no Hammer Museum, de Los Angeles (EUA). Em abril deste ano, chega ao Brooklyn Museum, de Nova York (EUA). A exposição encerra sua itinerância na Pinacoteca de São Paulo, onde permanence entre 18 de agosto a 19 de novembro. Sobre o curador Adolfo Montejo Navas é poeta, crítico e artista visual. Natural de Madrid (ES), mora no Brasil há mais de 25 anos. É autor de obras de referência sobre diversos artistas, como Anna Bella Geiger, Victor Arruda, Regina Silveira, Iberê Camargo, Paulo Bruscky, Mário Carneiro e Ana Vitória Mussi. Ganhou o Prêmio Mario Pedrosa de Ensaio de arte e cultura contemporânea (F. Joaquim Nabuco, 2009) e XV Prêmio Marc Ferrez de Fotografia - Reflexão crítica (Funarte, 2015). É Notório saber em Artes pela UFRGS, 2016. Sua última produção são os livros Fotografia & poesia (afinidades eletivas) (Ubu, 2017), Poemas casuais (Medusa, 2017) e Patricio Farias (Iluminuras, 2017) e as exposições individuais Continuum ~ Peças soltas (ESPM, PoA, 2017) e Antologia poética (MON, 2017-2018).

Actualizado

el 28 may de 2018 por ARTEINFORMADO

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