Catarina Loura
Evento finalizado
17
sep 2017
Sin fecha

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Cuándo: Desde 17 sep de 2017
Inauguración: 17 sep de 2017 / 15:00
Dónde: Mosteiro de Tibães / Rua do Mosteiro / Mire de Tibães, Braga, Portugal
Organizada por: Mosteiro de Tibães
Artistas participantes: Catarina Loura
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Etiquetas:
Publicada el 15 sep de 2017      Vista 37 veces

Descripción de la Exposición

Adorava cantar... No início fui desenvolvendo a técnica e demorei alguns anos a atingir os meus objetivos. Em todo o processo a emotividade abraçava-me. No fim perdi a técnica e a capacidade para cantar a uma velocidade estrondosa. Também no me sobraram as emoções. A última vez que cantei foi em Alcobaça. Lembro-me no regresso de parar o carro e pela primeira vez arrancar um cartaz a anunciar um concerto. Eram quatro da manhã numa noite fria... Eu só convivia com músicos. Namorava um e todos os meus amigos eram músicos. Sentia-me uma presa ferida sem possibilidade de sobreviver, que atrasa todos os que a rodeiam e põe em risco todo o seu grupo. Após a solidão veio o diagnóstico: Lesão Temporo-Mandibular. Para uma cantora é o topo das lesões incapacitantes. Existe uma pior, a surdez. Como eu a que- ria... para não puder continuar a ouvir take após take todas as minhas gravações... A minha alma ficou translúcida a desaparecer dia após dia. Eu continuava a trabalhar, continuava a ser um ser humano funcional, simplesmente porque sim, simplesmente porque é o que se espera, é o que é suposto. Eu sempre fiz o que se espera de mim. Sentia-me baça. Via-me ao espelho e não distinguia verdadeiramente as minhas formas. O olhar vazio chocava com outro olhar vazio. Por fora transbordava uma alegria doentia, sempre contente, sempre com uma piada a voar da minha boca. Um dia de manhã ao espelho olhei e pela primeira vez nada vi. Não estava lá nada, nem o olhar vazio, nem a minha boca, nem o meu nariz...nada. Além de não saber quem era, agora para piorar, nem sabia onde estava aquela pessoa que não reconhecia como sendo eu. Estava completamente perdida. Foi assim que tudo começou... a busca da imagem onde me encontraria. O que fazer? Se procuro uma imagem de mim, uma imagem que me aponte onde me perdi para perceber onde me encontrar, o melhor será fotografar-me. Lembrei-me de transportar comigo uma fotografia, uma fotografia de mim, olhar para ela e questionar-me...”Onde Estás?”... questionar-me tal e qual uma mãe pergunta por um filho desaparecido pendurando imagens dele por todo o lado. Demorei um ano a fotografar-me e o resultado de todo o processo é este conjunto de fotografias. Ainda não sei onde ando mas estou seguramente mais próxima de me encontrar e reconhecer do que há um ano atrás.

Actualizado

el 15 sep de 2017 por ARTEINFORMADO

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