Enseña tus OBRAS en ARTEINFORMADO. ¡Cada día, más personas las miran!
John Akomfrah
Evento finalizado
28
jun 2018
12
ago 2018

Compártelo

Publicada el 20 dic de 2018      Vista 22 veces

Descripción de la Exposición

Em Tropikos (2016), o cineasta e pesquisador John Akomfrah (Acra, Gana,1957) constrói uma narrativa densa e inquietante sobre um encontro entre africanos e europeus, na Inglaterra do início do século 16. Filmado em Plymouth, no sudoeste da Inglaterra, local central para o comércio e tráfico de africanos escravizados durante o período colonial britânico, Tropikos é “uma tetralogia sobre a água e os sonhos”, conforme apresentação no início do vídeo. É uma história contada em quatro atos, em que as fronteiras entre o delírio e a realidade são borradas. Akomfrah alcança esse efeito através de procedimentos formais e estéticos que conferem um ritmo perturbador ao vídeo. Como em tableaux vivants [quadros vivos], as cenas são construídas por personagens rodeados por livros, frutas, joias, máscaras africanas, elmos e retratos de antigos monarcas europeus. Akomfrah cita trechos de obras clássicas da literatura europeia, como Rei Henrique V (1599), de William Shakespeare, e Paraíso perdido (1667), de John Milton, que representam os indivíduos não europeus de forma perversamente exótica. Calibã, personagem escravizado e tornado exótico em A tempestade (1623), de Shakespeare, é uma forte referência na construção de alguns personagens negros no vídeo. Dessa maneira, Akomfrah exemplifica o modo como os sujeitos africanos foram identificados e retratados pelo olhar europeu da época: seres tão ingênuos e gentis quanto selvagens, o oposto absoluto ao civilizado. O vídeo sugere uma análise mais profunda e crítica sobre o acúmulo de riquezas das metrópoles, obtido à custa da dominação de outros povos. A água é grande protagonista em Tropikos. Há um silêncio abissal entre os africanos e europeus e nesse contexto o som da água ganha corpo e volume, uma presença ameaçadora, misteriosa e inebriante. Na ambivalência desse cenário, a água é o lugar do “encontro” e o abismo, onde o espectador permanece aprisionado, tal como mais uma testemunha do processo de exílio forçado imposto pela escravidão. Akomfrah é incansável em seu engajamento político, e desde a década de 1980, com seus primeiros trabalhos como integrante do reconhecido Black Audio Film Collective, na Inglaterra, já apontava as inúmeras deformações sociais e econômicas que se estabeleceram em decorrência da escravidão. É diante dessa memória de séculos de aniquilamento físico e simbólico que se torna indispensável destacar novos ângulos e autores capazes de contar outras histórias da diáspora negra. Uma reparação urgente e duradoura a esse capítulo abominável da história da humanidade que promova outros modos de existência e liberdade. John Akomfrah tem curadoria de Horrana de Kássia Santoz, assistente de mediação e programas públicos do MASP.

Actualizado

el 21 dic de 2018

¡Suscríbase y reciba regularmente nuestro Boletín de Noticias del Mercado del Arte!

Suscribirme