Rui Miguel Leitão Ferreira
Evento finalizado
22
jun 2017
09
sep 2017

Compártelo

Cuándo: 22 jun de 2017 - 09 sep de 2017
Inauguración: 22 jun de 2017
Precio: Entrada gratuita
Dónde: Galeria 111 - Lisboa / Rua Dr. João Soares, 5B / Lisboa, Portugal
Organizada por: Galeria 111
Artistas participantes: Rui Miguel Leitão Ferreira
Publicada el 22 jun de 2017      Vista 165 veces

Descripción de la Exposición

A Galeria 111 apresenta a exposição intitulada "#nervosa" do pintor Rui Miguel Leitão Ferreira (Lisboa, 1977). Trata-se de uma nova série de pinturas que indagam o processo pictórico da imagem produzida, bem como alargam o campo bidimensional da tela. Ao questionar a superfície pictórica como espaço performativo, o artista fica implicado na construção de uma realidade que simultaneamente revela e omite as imagens visíveis e invisíveis dos acontecimentos e das sensações corpóreas. Sem promover um método de trabalho único, o artista permite-se executar diversas camadas de pintura e de desenho que vão construindo uma imagem pictórica. Num esquema que tira partido do aleatório e evoca o sensorial e que tenta não promover um sistema fixo ou singular, as pinturas iniciam-se com telas usadas na execução de outras pinturas, conseguidas através da sobreposição de sucessivas camadas de estruturas de grelhas e de desenhos figurativos. À medida que as pinturas são construídas não demonstram um estado intermédio nem que venham a ter um fim necessário. As pinturas tendem para uma metamorfose ao sabor do desejo aparentemente sensorial dos seus protagonistas, sejam eles a tinta, a tela, a espátula dentada, os pincéis, as réguas ou mesmo o próprio artista. Esta relação promiscua parece que encarrega o objecto pictórico a ter um papel primordial na gravação da acção dos corpos sobre a sua superfície. Esta incisão ou escrita realizada em inúmeras camadas cria uma acumulação de informação que se vai perdendo pelo seu excesso. Como um processo de arqueologia em que se escava algumas camadas para revelar outras, o artista corta e rasga para que outra informação possa aparecer. Contudo, esta revelação não se torna mais clara nem evidente, mas revela sim uma visão palpitante e consistente com um estado animado e estimulado em excesso e sem libertação à vista, tal como num jogo erótico que não quer ter fim. A palavra nervosa é um adjectivo que provém do latim nervosus e significa algo dos nervos ou relativo a eles e que está num estado de grande irritação, inquietação ou que se excita demasiado. Neste sentido figurado, a pintura de Rui Ferreira apresenta uma instabilidade em fixar uma imagem unívoca e singular. Mantém-se a pesquisa relacionada com o informe nessa tentativa de desierarquizar e destruir a composição mas neste caso sem gestualismos impulsivos, pelo contrário, existe sempre um processo que envolve repetições calculadas, que querem e tiraram partido dos acontecimentos indeterminados da matéria. Há a possibilidade de gerar formas para além das imaginadas pelo autor e esta é a gratificação ascendente da sua atividade. Ao processar diversas camadas, executadas por diferentes métodos pictóricos ao longo de um demorado tempo, as pinturas constroem-se sobre uma realidade nervosa em que não é possível fixar o olhar num único ponto de vista. Esta intermitência atinge o espectador na sua relação com o objecto pictórico. Não se trata apenas da imagem que surge à sua frente, mas também o espaço que marca a distância entre ambos. Neste espaço, também mutável, entre o observador e o objecto observado reside uma performatividade tridimensional no movimento executado pelo primeiro para apreender o segundo. Caso não seja possível perpetuar a infinitude das acções pictóricas, é sempre necessário sentir, à flor da pele, a excitação nervosa que permite à memória exaltar-se e concentrar-se no prazer que essas pinturas desvelam e no modo como traem o olhar. Hugo Dinis, Junho 2017

Actualizado

el 22 jun de 2017

¡Suscríbase y reciba regularmente nuestro Boletín de Noticias del Mercado del Arte!

Suscribirme