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Smoke - António Trindade
Evento finalizado
09
feb 2019
15
mar 2019

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Cuándo: 09 feb de 2019 - 15 mar de 2019
Inauguración: 09 feb de 2019 / 16h00
Horario: Segunda a sábado:14h >19h30
Precio: Entrada gratuita
Dónde: Galeria Sete / Av. Dr. Elísio de Moura, 53 / Coimbra, Portugal
Organizada por: Galeria Sete
Artistas participantes: António Trindade
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Correo electrónico: galeriasete@gmail.com
Etiquetas:
Publicada el 20 feb de 2019      Vista 14 veces

Descripción de la Exposición

"smoke" “A existência e a vida humana contemporânea, sobretudo nas grandes cidades, permitem a interligação, o confronto ou a junção de paradoxos. Ao mesmo tempo que viaturas e fumadores poluem o ar e a nossa atmosfera envolvente, muitas vezes debaixo de um imenso stress, é ao mesmo tempo interdito o hábito tabágico dentro de espaços públicos e privados. Evidentemente que é claro que estes aspectos desencadeiam e aceleram outros movimentos e acções nestas sociedades modernas, pós-modernas ou contemporâneas. Neste sentido, uns aproveitam-se de outros onde tudo parece servir para se ganhar rendimentos e lucros. Surge assim também a oportunidade da exploração do sofrimento e das fragilidades humanas, de seus prazeres, caprichos e vícios. Empresas tabaqueiras e outras empresas criam e publicitam em cadeia novos produtos no mercado, iludindo consumidores em prol de interesses económicos e fiscais. Toda a gente sabe que o tabaco é um dos “instrumentos” que mais contribui para as receitas dos Estados dos respectivos países. Constitui um presente envenenado acessível à maior parte da população. Há assim o paradoxo e erro desumano dos Estados angariarem fundos através de altas taxas de impostos mediante produtos que prejudicam os próprios contribuintes que sustentam os próprios Estados. A Philip Morris entretanto criou um novo produto, o tabaco aquecido, em confronto com as crescentes campanhas antitabágicas, com objectivos sobretudo económicos, relegando questões mais importantes para segundo plano. Mas como humanos, temos os nossos vícios, os nossos hábitos, e esses são sempre explorados por terceiros, como acima referimos. O tabaco é um desses vícios ou hábitos onde o fumo é resultado da respectiva combustão e também da combustão de muitas essências e químicos que com aquele se aglutinam. No entanto, o fumo acaba por ser uma companhia para muitos, uma repulsa e ódio para outros e ainda e algo contraditoriamente e simultaneamente, uma companhia e uma repulsa. Para alguns é uma balança e um elemento no equilíbrio vital. Nesta série de trabalhos, ou na maior parte deles, cujo projecto intitulo Smoke, apresento figuras recolhidas em ambientes sugeridos sem interferências de terceiros, em lugares vazios, como que abrigadas de eventuais ameaças exteriores, entendidas em sentido lato. Estão como nos seus lugares próprios, em descompressão, em descanso, em êxtase, em repouso, livres de qualquer ameaça, força, ou de incómodos e acções exteriores: deliciando um cigarro, dormindo uma sesta, meditando e reflectindo no final de um dia de trabalho, longe da cidade num fim-de-semana, mas sobretudo fora dos cenários habituais que as interligam às suas actividades diárias e de rotina das cidades. Estão como que nos seus lugares onde podem e têm tempo de fazer o que querem, nas suas escapes, nas suas brincadeiras, nos seus vícios, sem ser incomodadas. Nestes trabalhos e nas sub-séries apresentadas, como The Nap, The Smokers, Girls and Cigarettes, L´agent Provocateur, The Sleepwalker, ou em The Innerstorm, são dados à visibilidade esses estados de libertação da nossa condição humana. Por outro lado, como nunca fui indiferente à História de Arte e à questão da perspectiva linear descoberta no Renascimento, e tendo uma predilecção pela pintura clássica e barroca, também aqui aproveitamos a oportunidade de parodiar e descontextualizar alguns “textos” que conhecemos da própria História de Arte. Esses textos-obras evocam a perspectiva através do escorço acentuado das figuras e também o claro-escuro. Há assim referências com deslocamentos deliberados em relação, por exemplo, a obras de Andrea Mantegna e de Annibale Carracci, do Renascimento ao Barroco, citando directa e indirectamente, mas desviando e deslocando os conteúdos originais para cenários mais actuais. São pontos de referência, mas são também pontos de passagem ou de chegada e, deste modo, naturalmente que surgem transformações e passagens do sagrado ao profano. Por outro lado, a luz e a dinâmica do fumo, que sobrepõe parcialmente os cenários e algumas figuras, acompanham também o jogo da representação-negação da própria técnica da pintura empregue, que desfoca os seus elementos através de arrastamentos pacientemente e deliberadamente realizados. Nas subséries L’agent Provocateur, as figuras representadas provocam audiências ausentes, mas como se aquelas estivessem presentes, porque estão protegidas nos seus lugares, nos seus ambientes, em posições e estados eróticos, afastando ou expelindo fumo para audiências ausentes, mas que assim as liberta da insatisfação diária, da insatisfação das suas actividades, da insatisfação do seu trabalho, da insatisfação no ódio contra terceiros nos confrontos diários das suas actividades, expurgando más energias para o exterior. Há assim a metáfora dum teatro visual das próprias figuras, abrigadas e não incomodadas, interditas a terceiras que só podem comunicar com o seu consentimento. Smoke adjectiva perigo, mas também e algo paradoxalmente adjectiva descompressão, prazer e liberdade, que são estados essenciais e vitais da nossa condição humana.” António Trindade, Lisboa, 2019

Actualizado

el 20 feb de 2019

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