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Ayrson Heráclito
Evento finalizado
19
abr 2018
17
jun 2018

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Cuándo: 19 abr de 2018 - 17 jun de 2018
Inauguración: 19 abr de 2018
Dónde: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP / Av. Paulista, 1578 / São Paulo, Sao Paulo, Brasil
Comisariada por: Horrana de Kássia Santoz
Organizada por: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP
Artistas participantes: Ayrson Heráclito
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Publicada el 20 dic de 2018      Vista 24 veces

Descripción de la Exposición

Ayrson Heráclito (1968 , Macaúbas, Bahia, Brasil) é artista, professor, curador e Ogã, da nação Jeje Mahin, em um terreiro de candomblé na cidade de Salvador. O artista cria instalações, realiza performances, fotografias e vídeos que estabelecem conexões entre a África e o histórico da diáspora nas Américas. Um exemplo são os vídeos O sacudimento da Casa da Torre ( 2015) e O sacudimento da Maison des Esclaves (2015) apresentados nesta sala. No contexto da tradição afro-brasileira do candomblé, o sacudimento constitui um ritual de limpeza e cura espiritual. Esse costume “varre”, afasta os eguns do ambiente doméstico. Os eguns podem ser compreendidos como as almas desencarnadas, os mortos que vagam e, por vezes, lastimam a vida terrena. Nos trabalhos de Heráclito,os eguns são as almas daqueles que faleceram dentro dessas casas, tanto dos senhores de escravos que encarceraram e impuseram incontáveis formas de tortura, quanto dos africanos escravizados. As performances são realizadas pelo artista e por mais dois homens, todos eles Povo de Santo (iniciados no candomblé). Cada um deles carrega dois maços de folhas e de ervas específicas para realizar o ato do sacudimento e as utilizam para bater nas paredes das casas a fim de afugentar os eguns. As folhas do sacudimento são propriedades do orixá Ossain, o senhor das folhas selvagens e divindade da floresta, e também estão relacionadas a outras divindades, como Iansã, senhora dos raios e das tempestades, que também exerce intenso domínio sobre os eguns. Esses vídeos são os registros das performances realizadas em duas casas que passaram pelo ritual do sacudimento, conectadas pelo comércio e pelo tráfico atlântico de escravizados e à colonização desde o século 16 . Entrando na sala, do lado esquerdo, o registro é da performance realizada na Casa da Torre dos Garcia d’Ávila, localizada no município de Mata de São João, Praia do Forte, no litoral norte na Bahia, possivelmente o maior equipamento administrativo do sistema colonial português construído fora da Europa. No lado direito da sala, o registro é da performance realizada na Maison des Esclaves [Casa dos Escravos] que fica na ilha de Gorée, localizada na costa de Dacar, no Senegal, que esteve associada ao sistema escravista e ligou a África às Américas até o século 19 . Heráclito articula essas performances-rituais para além do exorcismo dos eguns. As casas na Bahia e em Dacar são testemunhos vivos da escravidão, e o artista, também como herdeiro desse passado, evoca essas memórias numa tentativa de expurgar as histórias de violência registradas nessas duas margens atlânticas. Dessas e de tantas outras casas, cabe perguntar; onde estão os eguns que ainda não foram debelados? - Horrana de Kássia Santoz Ayrson Heráclito tem curadoria de Horrana de Kássia Santoz, assistente de mediação e programas públicos, MASP.

Actualizado

el 20 dic de 2018