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Os ovários das papoilas — Imagen cortesía de Sismógrafo
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Cuándo: 10 nov de 2018 - 01 dic de 2018
Inauguración: 10 nov de 2018 / 17:00
Precio: Entrada gratuita
Dónde: Sismógrafo / Praça dos Poveiros, 56, sala 1 / Porto, Portugal
Organizada por: Sismógrafo
Artistas participantes: Clara Batalha, Isabel Carvalho
Publicada el 08 nov de 2018      Vista 5 veces

Descripción de la Exposición

Uma proposta de / A proposal from Maria João Macedo (...) As papoilas são flores silvestres muito sensíveis. Os seus tules vermelhos, que costumavam cobrir os campos, estão a desaparecer. Em França, um movimento ecológico (Nous voulons des coquelicots) alerta para este perigo. A representação da forma da papoila, com ênfase no seu centro, é utilizada, no material gráfico de promoção de acções de sensibilização para a eminente catástrofe ambiental, como um símbolo agregador de uma comunidade atenta e vigilante. Os agricultores, responsáveis pelo seu desaparecimento, negam o que é um facto observável e desvinculam-se da relação entre os tóxicos pulverizados nos campos e os órgãos reprodutores doentes, que levam à esterilização das papoilas. (...) Em 2011, Clara Batalha participou com um cartaz numa exposição intitulada Flor Infinita (Navio Vazio), dando-lhe o mesmo nome. No desenho figura uma correspondência morfológica entre uma flor (genérica) e o corpo humano ou, descrito de outro modo, faz coincidir plenamente um corpo sobre outro corpo, o humano sobre o vegetal. Neste processo, a artista, que joga com semelhanças e correspondências, salienta a importância das que visam a integração do humano na natureza, num processo de harmoniosa interdependência. E é por isso mesmo que toma como inquietante o desaparecimento das papoilas (que sabe finitas) dos campos. Na praça dos Poveiros, onde se situa o Sismógrafo, um graffiti branco de pequenas dimensões, feito com stencil, que quase desaparece quando a praça está cheia, destacam-se do suporte duas espirais unidas – que significado nos ocorre, na nossa intercepção diária, face a uma imagem tão arcaica? Vemos – possivelmente – uma imagem de uma unidade ancestral, repetida, inscrita no anonimato, sem por isso se equacionar até que ponto estamos implicados. A linguagem é sempre a marca de um corpo e esta, sem margem para dúvida, provoca-nos. (...) Clara Batalha resulta de um trabalho de nomeação de uma identidade autoral fictícia, determinada pela idade, género e geografia, com autonomia temática e estilística. É um nome composto por duas palavras complementares (um adjectivo e um substantivo), que em si constituem um sentido conotativo de um estado presencial de elevada e tumultuosa vitalidade. A auto-referencialidade do trabalho de Clara Batalha é, por sua vez, o trabalho de deslocamento e edificação de uma vertente do trabalho de Isabel Carvalho. No limite, o centro do exposto é a confirmação da acção de nomear uma formação identitária. (...) IC/CB ------------------------------------- CLARA BATALHA (Porto, 1929) Em 1952, licenciou-se em Arte e Geometria pela Universidade de Paris-Sorbonne. No mesmo ano, frequentou o curso livre de Artes Decorativas na mesma instituição. Entre 1953 e 1965, foi educadora particular em Paris. De 1969 a 1983, estabeleceu-se na região do Douro onde exerceu funções de bibliotecária da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1977, iniciou actividade editorial no boletim desta mesma Fundação. Desde 2010, em co-autoria com Isabel Carvalho, desenvolveu diversos projectos artísticos. Nos últimos dois anos tem-se dedicado ao activismo ambiental. ISABEL CARVALHO (Porto, 1977) é artista plástica, editora e investigadora. Nos últimos anos, o seu trabalho artístico tem-se desenvolvido em torno das artes visuais, da escrita e da edição, caracterizando-se por uma forte componente de investigação – cruzando abordagens científicas e especulativas como metodologia. Participou em projetos expositivos e editoriais de referência internacional. A par do trabalho artístico dedica-se ao ensino de disciplinas de Desenho e Ilustração.

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Fuente: Sismógrafo

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