Exposición en Lisboa, Portugal

Presente e Passado, 2012-1950

Dónde:
Museu Coleção Berardo / Praça do Império / Lisboa, Portugal
Cuándo:
28 mar de 2012 - 24 jun de 2012
Inauguración:
28 mar de 2012
Comisariada por:
Organizada por:
Artistas participantes:
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Descripción de la Exposición

'Todos os homens por natureza desejam saber. Sinal disso é o amor aos sentidos. Estes, com efeito, são amados por si mesmos, à margem da sua utilidade e mais que todos o da vista. Com efeito, não só para agir mas também quando não vamos actuar, preferimos a vista - digamo-lo - a todos os demais. A causa é que este é, dos sentidos, aquele que mais nos faz conhecer e mostra múltiplas diferenças'.

 

Aristóteles, Metafísica, Livro I, Capítulo I

 

 

A responsabilidade do plano desta exposição cabe-me inteiramente. Não pretendi, aliás, apresentar uma retrospetiva - já que entendo que é o tempo que se encarrega do historial dos acontecimentos. Pretendi, antes, delinear uma escolha de obras, em função de conjuntos que pudessem resumir e tornar compreensível o meu trabalho de pintor.

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Pela primeira vez, sem interrupções, uma exposição abrange a minha intervenção, que parte, propositadamente, do presente para o passado.

 

Fui, de resto, objeto de outras antologias significativas: no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian em 1985 (Pintura, 1950-1985), no Museu do Chiado em 1996 (Para o estudo da melancolia.

 

Retrospetiva de retratos, 1955-1974), e no Museu de Arte Contemporânea de Serralves em 2000 (Prospectiva, 1966-2000).

 

Os parâmetros museológicos e as minhas próprias intenções limitaram, porém, o âmbito temporal dessas apresentações. A exposição no Museu Coleção Berardo constitui, portanto, o mais vasto depoimento que realizei sobre o meu trabalho.

 

Com o passar dos anos, foram-me atribuídas algumas classificações genéricas - expressionista, neorrealista, pop, pós-modernista, clássico, metafísico... Com exceção da asserção neorrealista, que era despropositada, todas as outras designações respeitam, efetivamente, a aspetos mais ou menos prolongados do meu trabalho.

 

Todavia, e embora reconheça a sua eficácia didática, penso que nenhuma delas abarca o sentido geral da minha pintura, na medida em que ficam de fora dessas classificações aspetos que julgo significativos e que sobram do que é arrumado do ponto de vista crítico.

 

Os meus começos não tiveram nada em comum com o movimento neorrealista; bem pelo contrário, como esta exposição demonstra. Nos anos de 1950, a minha ligação foi essencialmente à primeira Escola de Paris, e nela avulta a figura tutelar de Chagall. Seguiram-se-lhe, naturalmente, muitas outras, contemporâneas e muitas vezes pertencendo ao passado, como no caso da perene recordação do Greco de Toledo. Essas múltiplas influências educaram o meu olhar e guiaram a minha mão, permitindo-me a afirmação de uma expressão pictórica que entendo própria.

 

A pintura italiana do Quattrocento teve muita importância para o meu trabalho, todavia os grandes pintores italianos do século XX, como De Chirico e Morandi, que sempre admirei, nunca constituíram uma fonte de inspiração (é para Zurbaran que olho e também para Chardin).

 

O sentido metafísico, que, juntamente com o pendor expressionista e lírico, atravessa prolongadamente o meu trabalho, tem, do meu ponto de vista, uma tripla origem: - Os frescos 'clássicos' e 'modernos' da Vila dos Mistérios, em Pompeia, e Carpaccio, a quem dedico em 1961 uma homenagem, porque, justamente, venho a encontrar nele o sentido de ausência das figuras que habitavam o meu paisagismo de então;

 

- A poesia, designadamente de Cesário e dos 'presencistas';

 

- A pressão claustrofóbica e entediante do ambiente português das décadas de 1950 e 60.

 

O meu silêncio permaneceu sempre ligado ao real quotidiano.

 

Mas, naturalmente, o tempo aperta e simplifica o entendimento das coisas.

 

De qualquer modo, porém, acredito que a minha 'linha metafísica' se liga essencialmente a uma conceção individualizada da pintura como um processo de conhecimento, literalmente, para além das aparências físicas, que os sentidos transmitem.

 

Esse processo define a história da pintura desde o seu remoto passado até ao presente. Porque é específico, não pode ser repartido por outros campos estéticos sem que essa qualidade essencial de indagação tenda a alterar-se ou a perder-se em favor de outras (embora igualmente válidas) expressões. Trata-se de procurar a essência das coisas; mas, talvez, as coisas não tenham realmente essência nenhuma e a sua busca seja inútil. É uma dúvida de natureza metafísica que procuro resolver continuando a pintar.

 

Nikias Skapinakis, 2012

 

 

 
Imágenes de la Exposición
Nikias Skapinakis

Entrada actualizada el el 26 may de 2016

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