Agenda de Arte

Sever. Open Call Jovens Curadores 2016
Evento finalizado
21
jul 2017
15
oct 2017

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Cuándo: 21 jul de 2017 - 15 oct de 2017
Inauguración: 20 jul de 2017 / 18:30
Dónde: Galeria Boavista / Rua da Boavista, 47-50 / Lisboa, Portugal
Comisariada por: Sara de Chiara
Organizada por: Galerias Municipais - Cámara Municipal de Lisboa - EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural
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Descripción de la Exposición

Artistas: Ana Lupaș, Beatrice Marchi, Christodoulos Panayiotou, Eloise Hawser, Gonçalo Preto, Jason Dodge, Joanna Piotrowska, Namsal Siedlecki y Nick Bastis. “SEVER” é a mensagem encriptada que Maria do Carmo, mesmo antes da sua morte em Lisboa, escreveu numa nota endereçada ao protagonista do conto de Antonio Tabucchi, O Jogo do Reverso (1981). Este é também o título da coleção inteira de contos que “estão ligados a uma descoberta: o facto de um dia me ter dado conta, pelas circunstâncias imprevisíveis da vida, de que uma certa coisa que era ‘assim’, também era simultaneamente ‘doutra maneira’”, como explica o autor na sua introdução. As histórias são ligadas por um fil rouge definido por José Cardoso Pires na nota da tradução portuguesa (1984) como a “identificação de uma unidade contraditória”, que é ao mesmo tempo perturbadora e cativante. Maria do Carmo é a personagem elusiva da história, que pautou toda a sua existência de acordo com o jogo do reverso: um jogo simples que ela inventou quando era criança, que consiste na capacidade de reverter palavras. Ao longo dos anos as regras deste jogo estenderam-se à sua vida real: ela criou identidades fictícias revertendo a realidade numa pluralidade desconcertante de imagens que escapam a significados unívocos. A identidade da personagem existe numa dimensão em que a realidade e a ficção estão intimamente interligadas num jogo perpétuo de permutações, mostrando a sua multiplicidade por resolver. No fim da história, a mensagem “SEVER” deixada por Maria do Carmo restabelece a natureza verbal original do jogo: o reverso da palavra é “reves”, que pode ser lida tanto como a palavra francesa rêves (sonhos) como também como a palavra espanhola revés, ou reverso, mostrando uma afinidade próxima entre os dois termos. Esta mensagem tem sido considerada chave para o princípio que organizou toda a sua vida, bem como também um aviso: dissuadir o leitor da ideia de ter captado a verdadeira identidade da personagem. Além disso, revela que a identidade é polimórfica e que, por definição, elementos opostos como a ficção e a realidade não se excluem mutuamente, mas coexistem lado a lado. SEVER reúne obras de artistas internacionais de gerações diferentes, cujos trabalhos refletem sobre a ideia de identidade, do indivíduo ou de uma coletividade, concebidos como um lado visível também moldado pelo seu lado oposto – o seu reverso – que redesenha sempre a fronteira incerta entre a realidade e a ficção, sob a pressão alternativamente do sonho, do desejo, da vontade de transformação, da memória ou da aspiração. Nas obras reunidas na exposição, objetos do dia-a-dia, gestos e atitudes requerem uma mudança de perspetiva na perceção do espetador, sugerindo que uma certa coisa que é “assim”, também é simultaneamente “doutra maneira”, fazendo eco das palavras de Tabucchi. Todas as obras possuem uma relação com o corpo, de forma mais ou menos direta ou evocativa: umas vezes está presente e representado, outras está ausente, mas com os seus traços refletidos nas obras, corporificados em objetos. O ponto de partida do trabalho de Jason Dodge é o reconhecimento do potencial narrativo das coisas do dia-a-dia, de gestos simples que deixam um traço quase invisível nos objetos. A instalação the amputees are sleeping consiste num conjunto de almofadas, parecendo que cada uma foi deixada por um amputado. A ausência das figuras humanas, enfatizada pelas almofadas instaladas como se alguém se tivesse acabado de levantar, é substituída pela presença forte e abstrata dos seus sonhos e da possibilidade evocativa de que todos pudessem ter sonhado a mesma coisa. A peça de Eloise Hawser, Sample and Hold (2014-15) é composta por um vídeo e uma animação, sendo o resultado de uma investigação sobre a realidade virtual. O protagonista é o pai da artista, de quem o corpo nos é apresentado de duas formas: fisicamente, no processo de documentação da sua figura através de um scanner, e virtualmente, no resultado do rendering em 3D. O uso do scanner torna-se numa forma peculiar de conservar o corpo humano, explorando e reproduzindo as suas formas cheias e vazias, promovendo uma experiência onde a realidade virtual e a real coexistem e se complementam num todo. Identity shirt, first generation (1969) é o título de uma série de trabalhos de Ana Lupaș que consiste em retalhos de tecido nos quais a artista interveio com uma máquina de costura, traçando desenhos que os transformam em mapas de cidades, labirintos intrincados ou puzzles. A precisão da máquina é subvertida a favor de um padrão fragmentado, resultante de intervenções manuais que usam o lápis, a tinta e através do ato de rasgar o tecido. Com reminiscências vagas de peças de roupa, os têxteis sustentam tanto os gestos humanos como a ação da máquina, a singularidade do individual e a normalização da produção. Em Identity shirt, o tecido, que parece uma peça de roupa do avesso, torna-se uma membrana que separa, mas que ao mesmo tempo mantém o corpo da artista e a identidade coletiva do seu país unidos. O trabalho de Beatrice Marchi reflete sobre o fosso resultante do encontro entre o modelo ideal ao qual uma pessoa aspira e a vida do dia-a-dia, em particular durante a adolescência, um momento importante na definição da identidade. Obsessões partilhadas, fetichismos e símbolos são tratados com ironia e ao mesmo tempo analisados de forma séria, criando situações equívocas, utilizando humor e crítica, que se misturam numa linguagem amadora e profissional. Marchi usa diferentes media – vídeo, fotografia, colagem, desenho, instalação e performance – para explorar estes temas de vários ângulos. A performance Concert for solista with Isa B (2017) pode ser considerada como uma “montagem” que junta diferentes contextos ficcionais e experiências sobrepostas, interligados pela presença e pelas palavras da própria artista. Através de atos de criação e “decriação”, Christodoulos Panayiotou oferece interpretações novas e inesperadas de objetos frequentemente carregados de história pessoal e significados simbólicos. A sua instalação Untitled (2017) consiste em pares de sapatos personalizados, feitos à mão com cabedal de malas de senhora de familiares e amigos de Panayiotou. Apesar de nunca virem a ser usados, os sapatos já contêm diferentes usos, propostas e histórias sobrepostas, um processo de metamorfose que sugere que a estrutura das coisas nunca é definitiva, podendo ser sempre reversível. As fotografias de Joanna Piotrowska da série FROWST (2013-14) retratam diversos membros da sua família e amigos numa série de poses subtilmente estranhas e tensas. Os retratos revelam-se a si mesmos quanto mais são observados e tornam-se imagens carregadas de uma forte falta de familiaridade. Os corpos dos familiares, com a sua presença desestabilizadora, captados em poses ambivalentes, entre uma dimensão lúdica e uma expressão de poder, tornam-se assim uma visualização dos laços entre seres humanos, recetáculos dessas tensões criadas pelas relações, regras e hábitos dos quais a vida diária está impregnada. Raciocinando sobre o espaço liminar de uma porta, as peças de Nick Bastis, Treble e 909 (2017), ambas produzidas através de um processo inverso da cópia de uma chave, materializam o que o artista define como “o espaço imaginário que uma chave atravessa quando girada dentro de uma fechadura, mantida no bolso de alguém”. Estas dão forma a uma fenda, ao espaço vazio de uma fechadura, e tornam permanente o movimento invisível que define a oscilação entre o estado de abertura e de fecho. Os dois desenhos a carvão de grande formato do artista Gonçalo Preto, 01:48 e 23:17 (2017), estão no limite entre duas dimensões: são hiper-realistas, descrições vívidas de uma paisagem noturna e de um interior, e são ao mesmo tempo misteriosas representações de ausência. Enquanto as suas dimensões reais possibilitam uma projeção do espectador no espaço que desenham, um na entrada e outro na saída, o seu fundo negro e denso absorve o olhar numa atmosfera suspensa, num estado de espera, como se a qualquer momento algo pudesse surgir do escuro. Na instalação Group Show (2014), Namsal Siedlecki justapõe esculturas de barro modeladas pelo artista e pinturas feitas por animais que colecionou ao longo dos anos. Os blocos de argila crua foram repetidamente mordidos pelo próprio artista, a sua forma regular foi desfigurada pelo ato violento e selvagem que investiga a natureza animal original que persiste nos homens. Nessa inversão de papéis, o trabalho reflete também sobre a empatia e o instinto de imitação, numa dialética em que os animais imitam os homens tentando obter a sua aprovação e em que os homens descobrem a sua natureza animal mais profunda. Sara De Chiara (1984, Roma, Itália) é uma historiadora, curadora e critica de arte, de momento a viver em Lisboa. Recentemente colaborou com a publicação do novo catálogo raisonné do artista Umberto Boccioni (Allemandi, 2017); com a monografia do artista Roberto Cuoghi, Perla Pollina (Hantje Kantz, 2017); e também com a monografia da artista Lara Favaretto, Ageing Process (Sternberg Press- Mousse, 2015). Contribui regularmente para a Flash Art International e para a Flash Art Italia. Durante vários anos trabalhou na DEPART Foundation onde organizou projetos e exposições na American Academy in Rome e no MACRO Museum, ambos em Roma. Recentemente foi curadora da exposição Jade Bi na galeria Madragoa em Lisboa (2017).

Actualizado

el 05 oct de 2017 por ARTEINFORMADO

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